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domingo, 6 de junho de 2010

A "Prisão" que nos faz esquecer do que realmente SOMOS

O homem mortal, que é posto no mundo – mundo presentemente enquanto coelum et terra – e que o deve deixar, faz do mundo, a ele se prendendo, um objecto condenado a desaparecer na morte. A identificação específica entre terrestre e mortal só é possível quando o mundo é considerado a partir do homem, aquele que vai morrer (moriturus). A partir da conscientização e retorno ao verdadeiro desejo (a alma), o ser humano inicia um novo caminho que lhe fornece um grande desafio, o de ir além do objeto, enxergar-se por um viés que lhe permite viver no mundo e, ao mesmo tempo, não perder de vista a perspectiva da vida feliz. Viver no mundo e nele não se aprisionar é o mesmo que buscar o equilíbrio sem se deixar conduzir pelos excessos e tampouco pela carência. O retorno à alma é o objetivo para se alcançar a vida feliz, porém este retorno só será possível quando o relacionamento não for aprisionado por alguma das partes. A prisão da qual falamos é aquela que faz o sujeito se esquecer do que é e que o conduz a viver distante de si, preso somente nos relacionamentos efêmeros que não
lhe adicionam benefícios, fazendo-o perder-se definitivamente no mundo e em si mesmo.

(HANNAH ARENDT) 





"A Prisão"


Aquele que conhece todo o resto, sem ser ele mesmo conhecido, é o sujeito. Por conseguinte, o sujeito é o substratum do mundo, a condição invariável, sempre subentendida de todo fenômeno, de todo objeto, visto que tudo o que existe, existe apenas para o sujeito. Tendo a alma alcançado o que sempre buscou, a liberdade de não estar aprisionada ao objeto, mas de ser o que ela é, lança, assim, o sujeito a ver o mundo e a viver nele como ser que faz parte dele e não como um escravo. 
"Tudo o que existe, existe para o sujeito”.
Não teria finalidade o mundo, não teria sentido a vida humana, se esta fosse aprisionada até o seu entardecer, mas ao tornar-se livre desse mundo contemplando-o como lugar da revelação, onde o ser se conhece e conhece as coisas que fazem parte dele, e em harmonia vivenciar as virtudes existentes na alma, o caminho para a vida feliz se abre e a realização do ser humano acontece.

(ARTHUR SCHOPENHAUER)



"The Prison"




“Encontrei muitos que gostam de enganar, mas ninguém que quisesse ser enganado. Onde, então, conheceram a felicidade, senão onde conheceram a verdade? Visto que não querem ser enganados, também amam a verdade, e desde que amam a felicidade, que nada mais é que alegria proveniente da verdade, certamente também amam a verdade; e não a amariam se não retivessem dela, na sua memória, alguma noção. Por que, então, não se alegram com ela? Por que não são felizes? Porque se empolgam demais com outras coisas, que as tornam mais infelizes do que a verdade, de que se recordam fracamente, e que os faria felizes.”

(SANTO AGOSTINHO)



"O Medo de Perder"


Do querer possuir e do querer manter o desejo nasce o medo da perda. No instante em que é possuído, o desejo transforma-se em medo. Assim como o desejo deseja o bem, o medo receia o mal. O mal, que afasta o medo, ameaça à vida feliz que consiste em possuir o bem. Enquanto o homem deseja as coisas temporais (res temporales), expõe-se continuamente a esta ameaça, e ao desejo de possuir correspondente incessantemente o medo de perder.

(HANNAH ARENDT)




"The Fear of Losing"



A contemporaneidade nos suscita a pensar a força do tempo. O ritmo vertiginoso dos grandes centros urbanos, o processo de virtualização com os computadores e as redes digitais, a incessante oferta de imagens na mídia (atuando na produção dos desejos), são apenas algumas das mutações em curso que caracterizam a implosão do espaço-tempo. Até que ponto estamos acompanhando essa aceleração, nos adaptando, agilizando nosso pensamento? Quais são os sintomas que essa cultura produz em nossa subjetividade?. Verifica-se as marcas da carência, da angústia provocada pela desterritorialização, da melancolia. Já, no século passado, ao tentar compreender a depressão, Freud (1895) postulou uma relação entre perda objetal e a melancolia. Ele sugeriu que a raiva do paciente deprimido é dirigida para seu íntimo, em razão de identificação com o objeto perdido.

(BIRMAN)


9 comentários:

  1. Gosto da combinação feita entre imagens e citações, se valer como dica, eu gostaria de ver os autores da imagens além dos títulos.
    UM abraço Zerbato!
    Tudo de bom!!!

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  2. Obrigado Augusto, pelo comentário, pela visita e principalmente pela dica!!
    As imagens utilizadas no blogue são minhas, mas concordo com você a necessidade de deixar isso mais claro! Sugestões são sempre bem-vindas! Muito obrigado mesmo!
    Abraços Augusto,
    Tudo de bom para você também!!

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  3. Cheguei a este espaço de pensamento e arte, pelas asas do dias genéricos, de minha especial amiga Patrícia.
    Gostei muito, pretendo voltar.
    Abraço!

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  4. Obrigado HM, pela visita e belas palavras! Artistas como você, sempre são bem-vindos!
    Agradeço a Patrícia, minha amiga também!
    Abraços,
    Paulo Zerbato.

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  5. Imágenes Hermosas blog es placer enorme y sin llegar a ver tanta belleza, encanto mí.
    besitos para ti, que bonito Tenga fin de semana sin

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  6. Obrigado pelas visitas e comentários Rogério!!
    Obrigado pelas sempre carinhosas palavras "Dejame un Poema"!!
    Abraços,
    Paulo Zerbato.

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  7. Refletindo, fazendo novas sinapses e ajustando posições. Belíssimos textos e ilustrações. Obrigada. Um abraço!

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  8. Fico muito feliz com seus comentários Scher! Eu que agradeço! Abraços!

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